Final do Mundial

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Por Raphael M. Fraga

Na final do Mundial de Clubes deste ano tivemos um jogo com uma energia e um ar de misterio como duelos de Copa do Mundo dos velhos tempos. No distante Japão, o time que foi berço do rei do futebol chegou aonde todo clube brasileiro um dia sonha chegar, na final do Mundial de Clubes. Com uma nova geração que prometia encantar o mundo, o Santos dasafiou o Barcelona ao titulo de melhor do mundo. O jovem craque Neymar que escalou para o topo do futebol brasileiro em 2 meros anos agora enfretaria o teste mais difícil de sua vida futebolística. Titular absoluto na seleção Brasileira, Neymar começou o ano com a maior vitória seguida pela maior decepção de sua jovem carreira, o título da Libertadores e a péssima campanha na Copa América. O jogo mais antecipado do ano foi ilustrado como um duelo de 2 craques, Neymar vs Messi. O Argentino Lionel Messi, possivelmente a maior fera dos campos de futebol no momento, manipula a bola com abilidade impressionante. A visão e genialidade que lembra velhos maestros como Zico e Zidane. Messi finaliza com a esquerda e dribla os adversário em forma assustadora lembrado um outro craque Argentino que conquistou Barcelona. Era o melhor do mundo contra uma promessa à melhor do mundo. Era o Santos de Muricy contra o Barça de Guardiola.

Quando o juiz apitou o inicio do jogo e a bola rolou no gramado japonês veio o grande choque de realidade. O Santos não joga futebol no mesmo nível que o Barcelona. Como foi nos seus últimos 235 jogo, a equipe Espanhola dominou a posse de bola terminando o jogo com a estatística impressionante de 71% de posse de bola sobre a equipe Santista. O espectador menos fanático que não acompanha o Barcelona frequentemente descobriu que o time deles não é somente Messi e mais 10. Testemunhamos uma aula de futebol e domínio com os meros fundamentos do esporte. Toques precisos e rápidos, um ataque paciente que não força jogadas desperdiçando a tão importante posse de bola. E uma defesa que marca o adversário em seu próprio campo. O time que joga simples também conta com os melhores jogadores do mundo em Messi, Xavi e Iniesta, aí fica difícil jogar contra eles. O Barcelona é indiscutivelmente o melhor time do mundo. Dou a eles o maior elogio que eu posso dar a um time de futebol. O atual time do Barcelona só pode ser comparado com um time que conquistou o mundo há exatamente 30 anos atrás: o Flamengo de Zico em 81.

Só para terminar gostaria que o amigo leitor ficasse ligado nesta janela de transferências do futebol Brasileiro. Compare a filosofia do Barcelona e a do Real Madrid. Enquanto o clube Madrileno gasta uma fortuna em jogadores, temporada após temporada, o Barça conta com 9 dos 11 titulares e o treinador criados em casa. Ao invés de gastar milhares de dólares em veteranos como os clubes brasileiros gastarão com Ronaldinho, Luis Fabiano, Adriano, etc, não seria melhor um investimento em escolinhas e estrutura para os jovens talentos das categorias de base? O nível de qualidade do futebol brasileiro tem despencado nos últimos anos. Os jovens talentos não completam todas as etapas de categorias de base e são precocemente jogados abaixo dos holofotes e da pressão do torcedor brasileiro. Hoje em dia temos que assistir a um time que joga do outro lado do planeta para rever o futebol bonito que inventamos. E nós torcedores temos que criar um novo hábito de paciência, paciência que gera a tranquilidade para o jogador desenvolver o seu futebol. Messi foi banco do Ronaldinho por dois anos antes de receber a sagrada camisa 10 de Barcelona, e prestem atenção que o próximo 10 do Barça já está lá no banco aprendendo com o melhor do mundo. O filho do Mazinho, Thiago Alcantra, foi tirado das categorias de base do Flamengo e levado a Barcelona aonde o pai sabia que o menino teria toda a estrutura para se transformar em um verdadeiro craque de futebol.

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